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segunda-feira, 5 de julho de 2010

Visor Embaçado

Lá estava eu... O som da minha própria respiração ofegante bombeava mais emoção para dentro da minha batalha pessoal. Minhas coxas já não suportavam mais o peso do meu próprio corpo. A minha visão limitada pelo visor da máscara dificultava à mira ao alvo. Eu não pensava, o presente corria rapidamente, mal sabia quem disparava em mim e quem não disparava.

Momentaneamente apontava para o outro lado, procurava alguem com a guarda aberta e disparava alguns tiros em sua direção, no coração da batalha, gritos, táticas sendo criadas, os inimigos tentando nos flancar e nós tentando recuar atacando. Ainda não havia sido alvejado, então decidi flancar pela esquerda já que todo o combate se desenrolava pela direita. Saí em disparada para o obstáculo mais adiante, correndo com os joelhos praticamente todos flexionados e encostei-me de costas no obstáculo, protegendo-me dos tangos mais à frente.

Novamente minha respiração estava ofegante, eu aproveitava o tempo mantendo a posição de cócoras e descançando minhas coxas. Eu olho rapidamente para o meu marcador, percebo novamente que ele não possui travas de segurança e nem mesmo alça e maça de mira. Olho em volta, e percebo que meus inimigos ainda não me viram. Corro para o próximo obstáculo e permaneço da mesma maneira. Já estou quase com um flanco perfeito. Um disparo dali e eu faria um estrago, mas eu não queria desperdiçá-lo, então correr mais um obstáculo seria melhor. Foi ai então que me dei conta de que de tanto correr e respirar ofegantemente, eu embaçara o visor da minha máscara, e se eu corresse mais do que já havia corrido, um disparo seria ineficaz mesmo com um flanco perfeito.

Era hora do tiro, não tinha escolha, o flanco parecia bom, e os inimigos ainda não haviam me avistado, queria pegar-lhes de surpresa, pregar-lhes um susto, tirá-los de campo com um único tiro. Apontei para uma máscara mais a frente, que se destacava de trás de um obstáculo. Ela estava imóvel, talvez observando meus camaradas que faziam minha cobertura da base. Reajustei a mira, respirei, e puxei o gatilho. Por alguns instantes ainda pudi ver a cápsula de tinta se movimentar no ar, fazendo uma trajetória com uma minúscula curvatura para baixo.

Meu flanco foi perfeito, minha mira foi perfeita, meu reajuste foi perfeito, a respiração foi perfeita, e o som da cápsula acertando a máscara da Içana foi idescritivel. No momento do acerto os outros dois que ainda estavam em jogo voltaram seus olhos e marcadores para mim. Ambos abriram fogo. Eu que em uma batida de retirada tentara fugir, acabei sendo alvejado duas vezes no lado esquerdo das costas.

Eu estava me sentindo realizado de mais para perceber a dor. O objetivo estava cumprido.

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