Enquanto ele acordava, tudo a sua volta, cada simples coisa, era uma verdade absoluta. Não haviam sinai de uma presença passada, nada até onde ele poderia chegar ou ver.
Sua vontade de aprender cresceu mais, enquanto ele se esforçava para se levantar percebia que o mundo fora gerado, feito, criado, construído, bloco por bloco, como se alguém, de alguma maneira, os tivesse posto, um por um, um após o outro, incansavelmente, das profundezas até o próprio céu. Ele sabia que não estava sonhando. ele mesmo não sabia exatamente o significado da palavra sonhar, e, até onde ele sabia, nunca esteve vivo para saber a verdade. Não, ele estava vivo, vivo como nunca esteve.
Ele se aproximou de uma árvore cujas extremidades eram todas quadradas, como as pedras, a terra, as folhas, e até mesmo a água e o ar, que não podia ser visto, mas sentido, pelo seu corpo, que já não o espantando, também era quadrado. Aquilo não o surpreendia mais.
Ele precisava de abrigo, então pensou, e novamente ele estava surpreso. Não por sua habilidade incontestável de adquirir recursos através de socos, mas pela própria habilidade de pensar. Ele existia.
Por existir, pensar, e uma incomum habilidade com as mãos, o mundo era um parque de diversões ante seus olhos. As possibilidades eram infinitas. Então ele prosseguiu socando árvores, terra, plantas e tudo o que podia alcançar com suas ligeiras e quadradas mãos. O sol, um grande bloco branco no céu, aproximava-se da parte mais alta, o centro do veludo azul e pálido, acima de sua cabeça quadrada. Já era meio dia. Tão rápido.
E o que acontecerá quando o Sol tocar o outro lado do veludo?
Então haveria uma noite?
Melhor construir abrigo, pensou.

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